Investidores
de peso, como um dos criadores do Google e o cineasta James Cameron, apostam na exploração de asteroides como
saída para a escassez de matéria-prima na Terra
Larissa Veloso
Assista ao vídeo e saiba como a empresa Planetary
Resources planeja desenvolver e colocar em prática essa tecnologia:
FICÇÃO?
Ilustração
simula a mineração em asteroide
A Terra
está ficando pequena para seus sete bilhões de habitantes. Com o esgotamento
cada dia mais no horizonte, explorar o espaço para poupar o planeta não é mais
coisa de ficção científica. Pelo menos é nisso que apostam o cineasta James
Cameron, criador de sucessos como “Avatar”, e o empresário Larry Page, fundador
da gigante da internet Google. Ambos são investidores da Planetary Resources.
Lançada oficialmente na semana passada, a empresa pretende desenvolver
tecnologia para retirar metais raros de asteroides (leia quadros). Os
pesquisadores estão de olho em corpos que possam ser ricos em materiais do
grupo da platina, metais que existem em pequena quantidade na Terra e usados em
componentes eletrônicos.
APOSTA
Larry Page, um
dos criadores do Google,
também investe
na iniciativa
A
empreitada, obviamente, não é fácil. É preciso antes identificar quais
asteroides são ricos em recursos. A partir daí a companhia tem que desenvolver
sondas que possam ir até o local e que sejam capazes de operar em um ambiente
de baixa gravidade. Depois disso, ainda é preciso carregar todo o material até
uma estação espacial ou para a Terra. “Existem vários problemas. Um deles é que
esses metais não ocorrem de forma livre, mas sim combinados na forma de
minerais. Portanto, para serem aproveitados como minérios, eles teriam de ser
extraídos das rochas e concentrados para serem transportados. Tais processos
não são fáceis de serem executados”, avalia o especialista em geologia
planetária e professor da Unicamp Alvaro P. Crósta.
Assista ao
vídeo em istoe.com.br
As
dificuldades são reconhecidas por John S. Lewis, professor emérito da Universidade
do Arizona (EUA) e um dos conselheiros da Planetary Resources. Mas ele enfatiza
que o grupo tem experiência para lidar com o desafio. “Somos um consórcio de
peritos em asteroides, engenheiros aeroespaciais e investidores. Passamos
muitos anos fazendo experimentos com meteoritos em laboratórios”, afirma Lewis.
Autor do livro “Mining in The Sky” (“Mineração no Céu”, em tradução livre), ele
defende que tudo é uma questão de ponto de vista. “Esse processo não tem nada
em comum com a extração convencional. Passamos tanto tempo estudando os
meteoritos que, vendo as coisas da nossa perspectiva, poderíamos concluir que a
mineração na Terra seria praticamente impossível por causa da gravidade
esmagadora e da presença de oxigênio altamente corrosivo”, compara Lewis.
Então é
mais fácil minerar no espaço? Ninguém sabe, simplesmente porque ninguém nunca
tentou. Mas uma coisa é certa: não será barato. “A questão do transporte do
minério fora do nosso planeta não é tecnológica, uma vez que viagens desse tipo
já são feitas, mas sim financeira. É difícil avaliar se os custos do transporte
de grandes volumes de minério por distâncias tão grandes serão viáveis”,
analisa o professor Crósta. E isso sem mencionar a quantidade de energia
envolvida, o que acabaria consumindo os recursos do planeta.
Para
contornar esse problema, os empreendedores vão focar primeiro na descoberta de
água. O material poderia ser quebrado em hidrogênio e oxigênio e transformado
em combustível. Segundo a Planetary Resources, um único asteroide rico em água
poderia abastecer todos os foguetes já lançados pelo homem, o que reduziria os
valores. Os empresários, porém, parecem ter transformado a questão do alto
custo da exploração espacial em mais um critério a ser dobrado. De acordo com a
conselheira da empresa Sara Seager, Ph.D. em astronomia por Harvard e
professora de ciência planetária do MIT, a companhia vai trabalhar na redução
de custos de produção para lançar máquinas que possam ser compradas por
particulares, instituições privadas ou governos.
Seja qual
for o custo do projeto de mineração (as cifras não foram reveladas), o lucro
tende a ser alto, se a empreitada for bem-sucedida. De acordo com a empresa,
que se baseia em estudos recentes da Nasa, um único asteroide de 500 metros de
diâmetro rico em platina pode gerar uma renda de US$ 2,9 trilhões. Mas, ao
menos por enquanto, a coisa está longe de sair do papel. Representantes da
empresa já disseram que poderão começar as perfurações em busca de água por
volta de 2020, mas não há uma data precisa. “Os acadêmicos dizem que a
mineração de asteroides pode levar décadas para se desenvolver. Mas é preciso
perceber que a indústria espacial privada está operando em um ritmo muito mais
rápido e inovador do que as tradicionais agências governamentais”, diz a
especialista Sara.
Avaliando
o potencial do projeto, é fácil entender por que gente como Larry Page decidiu
apostar o seu dinheiro. Os metais do grupo da platina, encontrados em pouca
quantidade na Terra, estão por trás de muita tecnologia de ponta. Sem eles, não
é possível fazer computadores, smartphones ou tablets, ferramentas das quais o
Google depende. E, se a gigante da internet quer que todos continuem acessando
seus produtos, é melhor buscar matéria-prima extraterrestre antes que os
recursos do nosso planeta se esgotem.
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